O preparo intestinal utilizado nos exames de pelve feminina cujo principal objetivo é investigar endometriose profunda é muito importante.
Isso porque, em condições normais, o intestino grosso contém resíduos fecais e gás, além de um movimento natural e intermitente denominado peristalse. Tais condições geram algumas limitações importantes na investigação de endometriose intestinal e da cavidade pélvica de uma forma em geral.É importante ressaltar ainda que as mullheres são particularmente mais constipadas que os homens, apresentando grande quantidade de resíduos fecais no retossigmóide e no ceco.
Os focos de endometriose profunda que acometem o intestino podem apresentar dimensões variadas, desde alguns milímetros até vários centimétros. Quanto menor a lesão, mais difícil de indentificá-la. Tais lesões aparecem como nódulos aderidos à parede da alça, com crescimento infiltrativo de fora para dentro. Por este motivo, o exame de colonoscopia (que examina o intestino por dentro) pode ser normal em mulheres portadoras de endometriose intestinal. Os focos são mais frequentes no retossigmóide, que é o segmento mais distal do intestino grosso e como já citei, que habitualmente contém resíduos e gás. Na ultrassonografia transvaginal, o conteúdo das alças gera artefatos na imagem, com zonas de penumbra, como uma "sombra" ou "cortina", impedindo a visualização de estruturas localizadas atrás ou adjacentes a elas. Este efeito, além de atrapalhar na visualização da parede do intestino, também atrapalha na avaliação de outras estruturas pélvicas, como os ovários por exemplo. Com o intestino vazio, o ultrassonografista consegue, em menor tempo e de forma mais fácil, fazer um rastreamento de focos de endometriose nos múltiplos sítios onde a doença pode aparecer, sobretudo no intestino, minimizando o desconforto que o exame poderia causar ou eventuais lesões de difícil acesso. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal é uma excelente modelidade na investigação de múltiplos focos de endometriose no intestino.
Na ressonância magnética este efeito é ainda mais crítico, pois por se tratar de um método estático (as imagens são obtidas e posteriormente avaliadas) não é possível manipular as alças durante a análise para melhorar a capacidade de detecção das lesões. Aqui a sensibilidade do método diminui muito quando, além do conteúdo nas alças, a persistalse (movimento das alças) está exacerbada, pois gera um borramento dos contornos das alças intestinais e das estruturas adjacentes. Para minimizar estes problemas, além do preparo intestinal, adicionamos a injeção intravenosa de uma ampola de antiespasmódico antes do início do exame.
O preparo, habitualmente feito com o uso de laxativos, uma dieta pobre em resíduos e a aplicação de um enema via retal é bem tolerado pelas pacientes. Em alguns casos pode causar cólicas abdominais, que podem ser minimizadas com o uso do antiespasmódico.
Portanto, se pretende realizar um destes dois exames para investigar uma possível endometriose pélvica, capriche no seu preparo intestinal!!! É chato, eu sei, mas muito útil e fundamental para aumentar a sensibilidade e especificidade dos exames.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Seu DIU esta bem posicionado?? US 3D transvaginal para avaliação da posição do DIU
US 3D transvaginal para avaliação da posição do DIU na cavidade uterina
A avaliação do DIU após a sua inserção na cavidade uterina pode ser realizada de forma rotineira através de uma ultrassonografia transvaginal convencional. Entretanto, algumas vezes este método não permite uma adequada avaliação da posição real do DIU, uma vez que o mesmo pode estar com o eixo oblíquo, invertido ou mesmo com uma das hastes insinuando-se na porção intramural das tubas ou no miométrio, o músculo que compõe a parede uterina.
A visão tridimensional possibilita melhor análise e nos equipamentos mais modernos é pode ser obtida em questão de alguns minutos.
No exemplo abaixo, a primeira imagem demonstra um DIU em posição correta e a segunda com eixo invertido, oblíquo e com insinuação da haste vertical no segmento intramural da tuba direita.
Um abraço carinhoso,
Luciana
A avaliação do DIU após a sua inserção na cavidade uterina pode ser realizada de forma rotineira através de uma ultrassonografia transvaginal convencional. Entretanto, algumas vezes este método não permite uma adequada avaliação da posição real do DIU, uma vez que o mesmo pode estar com o eixo oblíquo, invertido ou mesmo com uma das hastes insinuando-se na porção intramural das tubas ou no miométrio, o músculo que compõe a parede uterina.
A visão tridimensional possibilita melhor análise e nos equipamentos mais modernos é pode ser obtida em questão de alguns minutos.
No exemplo abaixo, a primeira imagem demonstra um DIU em posição correta e a segunda com eixo invertido, oblíquo e com insinuação da haste vertical no segmento intramural da tuba direita.
Um abraço carinhoso,
Luciana
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Histerossalpingografia- um método "ainda" muito valioso no estudo da mulher infértil
A histerossalpingografia consiste em um exame radiológico contrastado cujo principal objetivo é a avaliação das tubas uterinas. Apesar de antiga, esta metodologia ainda é extremamente valiosa na propedêutica de investigação da mulher infértil. Dentre todos os métodos de imagem disponíveis, é o único que possibilita de forma mais acurada a avaliação da morfologia (aspecto, mobilidade) e permeabilidade das tubas uterinas (se estão "fechadas" ou obstruídas). Além disso, ainda possibilita a avaliação da cavidade uterina, quando indicada a pesquisa de malformações congênitas, aderências (sinéquias) e lesões com projeção para dentro do útero, como pólipos endometriais e miomas uterinos submucosos.
O exame deve ser realizado entre o 6º e o 11º dias do ciclo menstrual. É muito importante afastar a possibilidade de gravidez antes de sua realização. Durante o uso contínuo de contraceptivos ou outras razões para não estar menstruando é de fundamental importância a orientação de seu médico, consentindo a realização do exame.
O exame é feito em uma sala de radiologia, com a paciente em decúbito dorsal. Atualmente na maioria dos serviços, utiliza-se um cateter flexível, posicionado no colo uterino. O contraste iodado é injetado lentamente e são então realizadas radiografias seriadas da cavidade uterina, do enchimento gradual das tubas e da passagem do contraste para a cavidade pélvica. Após esta fase o cateter é retirado, a paciente orientada a caminhar por alguns minutos e então é realizada a última radiografia, em geral após 7 minutos. Esta última radiografia é muito importante pois será utilizada na avaliação do esvaziamento das tubas, presença de contraste residual, acúmulos de contraste em recessos da cavidade pélvica, etc...
O exame pode ser realizado sob sedação anestésica, porém isso acaba limitando um pouco a sua avaliação, pois a paciente não consegue colaborar com as manobras realizadas (virar de lado por exemplo) e a radiografia tardia costuma ficar prejudicada (é feita muito tempo depois do ideal).
Este exame costuma ser muito temido pelas pacientes, pois em alguns casos pode estar associado a fortes cólicas, sintomas de hipotensão, mal estar etc.. porém, é muito importante frisar, que assim como em qualquer outro procedimento, as reações são individuais, e variam muito de pessoa para pessoa. Quando realizado por um especialista treinado e experiente, costuma ser tranquilo e rápido, com discreto desconforto transitório na forma de cólicas leves que melhoram após o uso de um antiespasmódico.
Em pacientes alérgicas ao contraste iodado, este exame esta contraindicado, pelo risco de eventos alérgicos associados a absorção do meio de contraste pela mucosa vaginal e pelo peritônio pélvico. Alternativamente pode-se utilizar uma profilaxia com medicamentos apropriados nos casos de potencial risco alérgico ou ainda um contraste a base de gadolínio, o mesmo utilizado nos exames de ressonância magnética. Entretanto, este contraste não é tão radiopaco (branco) como o iodo, o que limita bastante a interpretação das imagens. Além disso não são todos os serviços que o utilizam.
Bom, espero ter ajudado vocês a desmistificar um pouco este exame tão mal falado e temido pelas pacientes e a conscientiza-las da sua importância no contexto da infertilidade. Um abraço carinhoso, Luciana
O exame deve ser realizado entre o 6º e o 11º dias do ciclo menstrual. É muito importante afastar a possibilidade de gravidez antes de sua realização. Durante o uso contínuo de contraceptivos ou outras razões para não estar menstruando é de fundamental importância a orientação de seu médico, consentindo a realização do exame.
O exame é feito em uma sala de radiologia, com a paciente em decúbito dorsal. Atualmente na maioria dos serviços, utiliza-se um cateter flexível, posicionado no colo uterino. O contraste iodado é injetado lentamente e são então realizadas radiografias seriadas da cavidade uterina, do enchimento gradual das tubas e da passagem do contraste para a cavidade pélvica. Após esta fase o cateter é retirado, a paciente orientada a caminhar por alguns minutos e então é realizada a última radiografia, em geral após 7 minutos. Esta última radiografia é muito importante pois será utilizada na avaliação do esvaziamento das tubas, presença de contraste residual, acúmulos de contraste em recessos da cavidade pélvica, etc...
O exame pode ser realizado sob sedação anestésica, porém isso acaba limitando um pouco a sua avaliação, pois a paciente não consegue colaborar com as manobras realizadas (virar de lado por exemplo) e a radiografia tardia costuma ficar prejudicada (é feita muito tempo depois do ideal).
Este exame costuma ser muito temido pelas pacientes, pois em alguns casos pode estar associado a fortes cólicas, sintomas de hipotensão, mal estar etc.. porém, é muito importante frisar, que assim como em qualquer outro procedimento, as reações são individuais, e variam muito de pessoa para pessoa. Quando realizado por um especialista treinado e experiente, costuma ser tranquilo e rápido, com discreto desconforto transitório na forma de cólicas leves que melhoram após o uso de um antiespasmódico.
Em pacientes alérgicas ao contraste iodado, este exame esta contraindicado, pelo risco de eventos alérgicos associados a absorção do meio de contraste pela mucosa vaginal e pelo peritônio pélvico. Alternativamente pode-se utilizar uma profilaxia com medicamentos apropriados nos casos de potencial risco alérgico ou ainda um contraste a base de gadolínio, o mesmo utilizado nos exames de ressonância magnética. Entretanto, este contraste não é tão radiopaco (branco) como o iodo, o que limita bastante a interpretação das imagens. Além disso não são todos os serviços que o utilizam.
Bom, espero ter ajudado vocês a desmistificar um pouco este exame tão mal falado e temido pelas pacientes e a conscientiza-las da sua importância no contexto da infertilidade. Um abraço carinhoso, Luciana
sábado, 18 de maio de 2013
Endometriose e infertilidade- dificuldades diagnósticas
Já está disponível aos médicos a aula sobre Endometriose e infertilidade- dificuldades diagnósticas, com acesso através do site do Fleury Medicina e Saúde, www.fleury.com.br (webmeeting). Para discutir este tema de grande relevância, participaram os doutores Gustavo Rosa Maciel (ginecologista e assessor de ginecologia do Fleury Medicina e Saúde); Dr. Paulo Cesar Serafini (especialista em reprodução humana do HCFMUSP e direitor da Clínica Huntington de Medicina Reprodutiva); Dr Duarte Miguel Ferreira Ribeiro (especialista em cirurgia geral e pélvica ginecológica do Hospital São Luiz e diretor da Clínica Dr Duarte Miguel Ferreira Ribeiro) e a Dra Luciana Pardini Chamié (especialista em imagem da pelve feminina do Fleury Medicina e Saúde e diretora da Chamié Imagem da Mulher)
quarta-feira, 15 de maio de 2013
"Meet the expert" a convite da GE na JPR 2013
Palestra sobre exames especializados em ginecologia a convite da GE na JPR 2013
Foram abordados os exames de ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal para pesquisa de endometriose, histerossonografia 3D e ultrassonografia translabial do assoalho pélvico
domingo, 5 de maio de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Os médicos mais admirados do Brasil....
Em pesquisa realizada durante 4 meses a Analise Editorial entrevistou cerca de 4 mil médicos no Brasil para obter um lista dos profissionais médicos e estabelecimentos de saúde mais admirados
A Dra Luciana Chamié foi indicada como uma das mais admiradas na especialidade Radiologia juntamente com outros 11 colegas da área!
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